Os Talentos de um personagem são o que realmente o fazem ser único. Enquanto os Aspectos Primários expressam a base potencial para estes métodos, o ponto inicial de suas ações, são os Talentos que direcionam este potencial e o refinam de acordo com a experiência de vida do personagem.
Talentos são muito importantes porque são eles que nos mostram qual o papel de um personagem para uma história, a forma na qual ele pode contribuir para uma trama, e acima de tudo, nos mostram quem o personagem é. Em geral, Talentos podem ser qualquer coisa que complemente – ou até substitua – os Aspectos Primários, então não fique preso à idéia de que Talentos são “perícias”. Há três frases que podem ajudar a definir os Talentos dos personagens:
(1) Eu sou um …
(2) Eu sou bom (ótimo; excepcional; incomparável) em/com …
(3) Eu tenho …
De modo a facilitar a definir quais seriam os Talentos de seu personagem, tente encaixar as idéias que teve ao completar as frases acima em uma das seguintes categorias:
- Qualidade: estes Talentos representam alguma característica dentro de um Aspecto Primário na qual o personagem se destaca. Por exemplo, um personagem pode ter Determinação Mediana no geral, mas ainda pode ser considerado “Forte“, ou “Obstinado“, ou até “Intimidador“. Na maioria das vezes, um Talento-Qualidade apropriado é adicionado ao Aspecto Primário, mas às vezes eles apenas anulam uma desvatagem (como, por exemplo, “Ambidestria” em Finesse).
- Ocupação: estes Talentos englobam os pormenores da rotina de um ramo de atividade profissional, incluindo prestígio, conexões, conhecimento prático e teórico sobre assuntos importantes e procedimentos, etc. “Médico“, “Detetive“, “Rastreador” e “Músico” são apenas alguns exemplos.
- Habilidade: estes Talentos representam habilidades mais específicas que um personagem pode optar por desenvolver individualmente, não necessariamente ligadas ao seu cotidiano profissional. “Luta com Facas“, “Pilotar Helicópteros“, “Defesa Pessoal” e “Persuasão” são apenas exemplos.
- Poder: estes Talentos Especiais representam quaisquer habilidades sobre-humanas que o personagem tenha, seja Falar com Aninais, seja o dom da Imortalidade. (As regras para elaboração de Talentos Especiais são abordadas com mais adiante).
* Se o Narrador achar que incluir capacidades de combate numa ocupação é algo abusivo, providencie para que os jogadores comprem tais habilidades separadamente. Exceto, talvez, quando a ocupação em si for algo intrinsicamente combativo (“Pistoleiro”, Mercenário”, etc.)
As regras do Carma deixam em aberto para os jogadores as escolhas dos Talentos de seus personagens. Não há listas de habilidades nem perícias, nem qualidades ou defeitos, embora o jogador responsável pela criação narrativa (o Narrador) de um cenário possa certamente oferecer sugestões ou até mesmo exigir que certas áreas de atuação sejam cobertas por todos os personagens.
Alguns podem se perguntar: não há o risco de os jogadores criarem Talentos com peso desequilibrado entre si? Resposta: sempre haverá. Porém, procuramos oferecer a liberdade de um jogador colocar no papel uma descrição para o personagem que esteja o mais próxima possível do conceito que imaginou para ele. Portanto, não há regras específicas sobre como limitar o grau de abrangência de um Talento, exceto esta: quanto mais concentrado e específico um Talento for, mais poderoso ela será. Quando dois personagens com Talentos apropriadas se enfrentam numa situação de Conflito, aquele que for mais especializado receberá uma vantagem garantida pelas regras, porque enquanto o outro estudou e praticou visando ser o mais completo possível, o especialista trabalhou para ser bom apenas naquilo. Ele merece um diferencial.
Assim como acontece com os Aspectos Primários, há quatro graus que nos ajudam a analisar a experiência e profundidade dos Talentos de um personagem:
- Bom - Competente; Índice 1: este grau representa o domínio (ou processo de domínio) dos princípios básicos de uma área de pesquisa ou treinamento. Nada de sofisticação, nada de extravagâncias, apenas informação e técnica suficientes para compreender a prática (termos e procedimentos-padrão), e o mínimo de confiança necessários para uso cotidiano e rotineiro.
- Ótimo - Avançado; Índice 2: neste grau, o personagem segue adiante em seu desenvolvimento e começa a vislumbrar e exercitar as novas possibilidades e vertentes dentro de sua esfera de ação. Os princípios básicos já estão firmemente enraizados em sua performance e ele agora se solta das amarras da simplicidade, retirando a “venda dos olhos” e vislumbrando como agir de maneira não convencional, improvisar e experimentar de forma eficaz, e tem sua autoconfiança fortalecida pelo fato de que são poucos os dotados de determinação e talento para se destacarem a este ponto.
- Excepcional - Elite; Índice 3: este grau é extremamente difícil de atingir, estando restrito apenas aos mais altamente capacitados num campo de atuação. Um indivíduo que seja considerado Elite está entre a nata de um campo de atuação, possivelmente tendo seu nome e trabalho reconhecidos e apreciado por diversas sub-culturas. Seu domínio sobre o assunto é extremamente refinado e sua experiência e conhecimento são vastos.
- Incomparável - Lendário; Índice 4: este grau é raro, principalmente porque beira o mítico, tendo o indivíduo atingido um nível de capacidade simplesmente incompreensível até mesmo para os considerados Elite. São muitos e muitos anos de estudo e prática e dedicação intensa até que um indivíduo alcance tamanha sintonia fina com sua esfera de atuação, de modo que seus atos são tão fluidos e naturais que se aproximem do sobrenatural.
A maioria dos Talentos de um personagem fica em nível Bom. Ele chega ao nível Ótimo nas áreas em que realmente se dedica mais e busca por reconhecimento ou satisfação pessoal. Apenas os mais talentosos e dedicados alcançam o nível Excepcional, e o nível Incomparável está reservado para aquele punhado dos maiores ícones de uma área de atuação dentro de numa ambientação.